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sexta-feira, 5 de junho de 2009

"O Novo Socialismo"

Em artigo no Caderno 2 do Estadão de hoje, Nelson Motta explora a democracia que a internet nos possibilita, e a semelhança dessa "nova era" com o Novo Socialismo de Chris Anderson. Confira!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Videocast #2 - Entrevistando malas...



Segundo Videocast do Consenseus ETC!
Nesse videocast mostramos de uma forma no mínimo cômica, a realidade dos nossos futuros jornalistas na hora de fazer entrevistas e as principais dificuldades que encontramos.
Ilustramos 4 tipos de "malas" mais comuns durante as entrevistas que já tivemos que fazer...

Altamente Divertido! Confira!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Consensus ETC na Virada Cultural

A equipe do Consensus ETC resolveu ir até a Virada Cultural pelas ruas de São Paulo para cobrir essa grande festa e ouvir o que as pessoas que foram até lá têm a dizer.

A Virada Cultural é um evento promovido pela Prefeitura de São Paulo que acontece no centro da cidade desde 2005, com duração de 24 horas sem intervalos, com shows, dança e atrações diversas. "Uma maratona de cultura pra quase todos os gostos", é o que diz a estudante Yasmim Caroline da Silva de 18 anos. Quando o assunto foi a possível censura de algumas atrações, ela confessa, "poderia ter mais coisas sim, mais estilos musicais diferenciados, mas acho também que isso só aumentaria a bagunça." Já as estudantes Jessica Ferdandes Anelli de 18 anos e Natália Soares de 16 discordam, afirmando que frequentam todos os tipos de pessoas e culturas na Virada.

O evento foi inspirado na Nuit Blanche parisiense, que agita anualmente a capital francesa, com atrações que seguem madrugada adentro.

Em São Paulo, o festival ganhou contornos superlativos e grande importância nessa 5ª edição, embora tenha sido mal divulgado e mal organizado, replica o preparador de máquinas André Luiz Santos de 23 anos que compareceu ao evento por acreditar ser "um evento de suma importância cultural." Os estudantes Mateus Ribeiro Guitti de 22 anos e Natália Soares de 16 concordam que o mais atraente é a possibilidade de ter acesso a coisas novas e de reunir pessoas de diversos lugares do Brasil. Já a estudante de 18 anos Jessica Ferdandes Anelli acha que a iniciativa é interessante por estimular o interesse à cultura.

"É um projeto para todas as faixas da sociedade, já que muita gente de classe social baixa não consegue ter acesso a eventos culturais, como teatro, mostras artísticas e entre outros elementos, devido à seletividade econômica dos mesmos. Hoje, na maioria dos caso é preciso ter dinheiro para ter cultura. Enfim, nesse projeto, existe a interação de diversas culturas sendo passada adiante sem limites sociais e econômicos, sem levar em conta as classes sociais." - ressalta a modelo Larissa Vecchi Castilho de 18 anos o grande trunfo da Virada, que é a possibilidade de levar atrações a todos, de primeira linha e de graça.

O evento tem beneficiado também o projeto de renascimento do Centro Velho de São Paulo, ao levar os paulistanos para a região, que habitualmente se esvazia durante a noite.

Compareceram cerca de 4 milhões de pessoas no festival que teve início ás 18 horas do sábado e terminou às 18 horas do domingo.
Quanto à segurança e policiamento do local a reclamação foi geral. A bancária Fabiana Dias de 23 anos relata, "O policiamento estava fraco."

O diferencial do evento seria a abertura para as diversas culturas que se reunem nos palcos em forte expressão de ideias como amor, liberdade, energias positivas ou em outros casos mais extremistas anarquia, apologia às drogas e engajamento em causas rebeldes, o que nos faz pensar se um evento como esse não é a própria corda que nos dão para que os de esquerda se enforquem.
"Com toda certeza somos manipulados pelo governo e pela mídia. O governo controla nossa vida diretamente, sendo que por escapar dessa manipulação direta, existem as penas. Essas um dia acabam; já a manipulação da mídia acontece de forma indireta e totalmente invasora na sua vida, uma porque ela consegue entrar na sua mente de forma a controlar seus gostos, desejos, enfim, seu estilo de vida, e para esse tipo de manipulação não existe punição ou regra, já que é considerado invisível." - diz a modelo Larissa Vecchi Castilho em concordância com a estudante Jessica Ferdandes Anelli, "Parece que hoje em dia só é aceitável gostar do que aparece na televisão. Porém, em São Caetano do Sul, por exemplo, uma festa dessa dimensão seria vetada, não aconteceria, por estar fora dos padrões corretos que a cidade impõe"
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Entrevistas por: Jeniffer Daurício
Reportagem Por: Marília Vezzaro
Edição de Imagens Por: Marília Vezzaro

terça-feira, 28 de abril de 2009

Entrevista com J.S Faro

José Salvador Faro é graduado em História pela Universidade de São Paulo, mestre e doutor em comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo, respectivamente nos anos de 1992 e 1996.

Atualmente é docente o curso de jornalismo pela PUC-SP e integrante do Programa de Pós-graduação da Universidade Metodista de São Paulo.

Dentre algumas das publicações Faro já publicou, destaca-se o livro "Realidade, 1966-1968. Tempo de reportagem na imprensa brasileira".

Este é fruto de sua tese de doutorado, sob orientação do prof. dr. José Marques de Melo.
O professor foi membro do Júri do Prêmio Luiz Beltrão no ano de 2001.

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O Consensus ETC teve a honra de entrevistar esse nobre e conceituado professor de nossa própria faculdade, confira!

C- Nas décadas de 1960, 1970 e 1980 como se passava a censura, sabendo que o governo manipulava as informações que a população tinha acesso?
J.S. Faro- É preciso saber exatamente o que está sendo entendido como “censura”. Se o termo designa as restrições de natureza policial e arbitrária feitas à imprensa nos anos da ditadura militar, então a definição só pode ser aplicada ao período que vai de Dezembro de 1968 ao primeiro semestre de 1975, talvez um pouco mais. Nessa época, os governos militares, com base na Lei de Imprensa e nos critérios da “segurança nacional” simplesmente vetava matérias que tinham que ser submetidas a Brasília ou que eram proibidas de divulgação pelos censores que faziam plantão em vários jornais do país. Se o termo “censura” é usado para definir quaisquer restrições à imprensa, inclusiva as provenientes de decisões judiciais, então a análise deve ser mais ampla.
Há diversos episódios na nossa história em que matérias ou edições inteiras de veículos foram proibidas em decorrência de julgamentos, processos, ações na Justiça. Penso que não se trata propriamente de “censura”, mas de proibições que não tiveram o mesmo caráter autoritário dos anos de chumbo.

C- Como os jornalistas nessa época, faziam para trocar informações sobre o governo, sem que isso os prejudicasse?
J.S. Faro- É preciso distinguir dois movimentos nesse sentido. O primeiro é aquele que diz respeito às atividades profissionais que se desenvolviam nos órgãos da grande imprensa. Aqui, os jornalistas – e os próprios jornais que não aceitavam a censura – lançaram mão de subterfúgios que escapavam à ação da censura. Por exemplo, o Estadão com os trechos dos Lusíadas. O Jornal da Tarde com as receitas. Nos dois casos, ocupava-se o espaço da matéria censurada com textos que nada tinham a ver com o noticiário. O outro movimento é o que diz respeito à imprensa alternativa, aos jornais de oposição cujos projetos editoriais – com uma única exceção – estavam voltados para a aberta oposição ao regime (Opinião, Pasquim, Movimento, Ex). Nesses casos, a atividade da censura criava dificuldades para a circulação dos veículos, mas enfrentava uma disposição de resistência que muitas vezes foi bem sucedida. Nos dois casos, no entanto, o trabalho dos jornalistas era prejudicado porque o embate com a ditadura criava inevitavelmente dificuldades para a cobertura dos fatos.

C- No inicio década de 80 houve o movimento das “Diretas Já”, onde o povo elegeu o primeiro presidente na esperança de uma mudança para o Brasil. Como você acha que isso afetou o jornalismo brasileiro?
J.S. Faro- Penso que o movimento “Diretas Já” funcionou como um balão de oxigênio para toda a imprensa. É o primeiro movimento de massas que ocupa as ruas do país depois de 1968 e isso estimulou uma postura mais crítica dos jornalistas e de seus jornais. Até que se desse a transição conservadora que resultou na democratização política do país, o jornalismo brasileiro cresceu.

C- Na sua opinião, na era de Fernando Collor, que forças impulsionaram o impeachment? Pra você, isso mudou alguma coisa em relação ao jornalismo brasileiro?
J.S. Faro- O movimento pelo afastamento de Collor deve alguma coisa de sua existência às “Diretas Já”. A diferença entre os dois é inferior a uma década, e a memória social ainda não havia se esquecido das passeatas pela eleição do presidente da república. Penso que o jornalismo brasileiro, frente às denúncias de corrupção contra Collor e frente ao silêncio e à conivência das elites – inclusive das elites encasteladas nos meios de comunicação (Globo, por exemplo), cresceu mais uma vez.

C- Com as mudanças de moeda ocorridas nos anos 80 e 90, muitos jornalistas que também são economistas manifestaram sua insatisfação com a instabilidade gerada no país, isso o afetou profissionalmente e/ou particularmente?
J.S. Faro- Parece que não foram só os jornalistas que ficaram insatisfeitos com a instabilidade daqueles anos. Só gostavam da hiperinflação os banqueiros, comerciantes e industriais, que ganhavam muito com a desvalorização da moeda. Particularmente, a crise não chegou a me afetar materialmente.

C- Com o decorrer dos anos a censura “está maquiada”, mudou, mas ainda está presente no nosso dia a dia. Na sua opinião, onde podemos observar, com maior ênfase, a atuação da censura brasileira?
J.S. Faro- Eu discordo de que haja censura na vida brasileira, tal como a vivemos nos anos da ditadura. Há restrições ao bom jornalismo, mas esse não é um problema de censura e sim da falta de ética com que alguns empresários da comunicação conduzem seus negócios. Trata-se de um paradoxo vivido pelo jornalismo em qualquer sociedade capitalista: uma atividade voltada para o interesse público que se desenvolve no âmbito de uma empresa privada. Penso que duas coisas na sociedade não podem estar em mãos de interesses privados: a mídia e os bancos...

C- Você acha que um dia a censura pode vir a acabar?
J.S. Faro- Se o paradoxo apontado acima for resolvido..."Uma atividade voltada para o interesse público que se desenvolve no âmbito de uma empresa privada".
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A equipe Consensus ETC mais uma vez agradece a ilustre participação do Professor Faro e a colaboração que nos foi dada de pronto e com a maior das atenções nos concedeu essa exclusiva. Muito Obrigado!

Esperamos que tenham gostado, e até a próxima!

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Referências: Portal Luíz Beltrão, J.S. Faro - História, Cultura, Comunicação e Jornalismo

Entrevista por: Jeniffer Daurício
Edição de Fotografia: Marília Vezzaro
Edição de Texto: Marília Vezzaro