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domingo, 7 de junho de 2009

40 Anos de Pasquim

O Pasquim completa 40 anos! Em matéria no Estadão de sábado (Caderno 2), podemos ver ilustrado a trajetória desse jornal que desde a época da ditadura, é referência no gênero. Confira!

























Edição por: Marília Vezzaro

Jornalismo Literário

A técnica de apurar e prender

O “New Journalism” trazido para o Brasil como Jornalismo Literário é um estilo que une o texto jornalístico com a literatura e história, com o objetivo de produzir reportagens mais profundas e detalhistas.

Esta forma de escrita também chamada de literatura da realidade, jornalismo de autor ou literatura não-ficcional é expressa através de livros, filmes, artigos de jornais e em meios virtuais. Com a marca de subjetividade que destoa da extrema objetividade do ‘lead’ jornalístico convencional.

Aparece na mídia no século XIX em solo europeu, na década de sessenta no território norte-americano com o estilo investigativo de Truman Capote, autor do livro-reportagem “A Sangue Frio”, onde conta detalhadamente um crime nos EUA acentuando o perfil das vítimas e dos criminosos.

No Brasil a prática foi exercida pelos jornalistas da Revista Realidade e do Jornal da Tarde que vão além das notícias, mergulham fundo nos fatos, onde exploram o lado autoral de cada jornalista que apura os dados minuciosamente.

Além de Truman Capote, outros jornalistas/autores também se destacam nessa modalidade tais como Gay Talese, Joseph Michel, Norman Mailer e alguns escritores como Euclides da Cunha, João do Rio e Gabriel García Márquez.

A liberdade de escrita atrai jornalistas e leitores para esse tipo de gênero jornalístico, principalmente na busca de compreender fatos importantes que ocorreram, mais a fundo.

O Jornalismo Literário é um conceito que rompe as correntes do lead, ultrapassa os limites dos acontecimentos cotidianos e propõe visões amplas da realidade, exercendo uma crítica literária, biografia, romance-reportagem, etc.. Gera a questão entre o limite da realidade e da ficção.

Saiba mais sobre Jornalismo Literário:

+ Os Sertões, de Euclides da Cunha

+ 10 Dias Que Abalaram O Mundo, de John Reed

+ A Sangue Frio, de Truman Capote











+ Chatô, O Rei do Brasil de Fernando Morais

+ Hiroshima, de John Hersey

+ A Luta, de Norman Mailer











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Texto por: Carlos Simalha
Edição por: Marília Vezzaro

sexta-feira, 5 de junho de 2009

"O Novo Socialismo"

Em artigo no Caderno 2 do Estadão de hoje, Nelson Motta explora a democracia que a internet nos possibilita, e a semelhança dessa "nova era" com o Novo Socialismo de Chris Anderson. Confira!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Jornalismo x Democracia


Jornalismo x Democracia

A grande possibilidade da democracia é que as contradições do sistema possam ser exploradas de maneira livre. Assim, mesmo num país de desigualdade, podemos ocupar espaços políticos e sociais para expor nossas ideias que podem fazer mal ao "corpo social" brasileiro.

Essa democracia não têm um caráter absoluto, não podemos dizer se ela é boa ou ruim, tendo em vista que os sistemas democráticos refletem em seus mecanismos de funcionamento. Ou seja, os interesses ou até mesmo os privilégios da classe que domina as estruturas do Estado.

A livre expressão e suas diversas manifestações é essencial para a formação do senso crítico e para a criação de uma sociedade heterogênea de atitudes e pensamentos, portanto a tendência é gerar um mundo com mais diversidade dentro da sua pluralidade.

Mas não é essa realidade que vemos na imprensa brasileira. O problema é que a maioria dos grandes centros de propagação de informações são controlados justamente por aqueles que possuem o poder político ou econômico, e aí deturpam essa virtude democrática que é a livre expressão.

Salvo a Internet. Onde a possibilidade de criar um espaço independente é muito maior do que a de criar um jornal impresso, por exemplo. É claro que nesse caso, a difusão nem sempre é tão grande, já que nem toda a população brasileira tem acesso a essa tecnologia. O conteúdo fica restrito a um certo grupo e a manifestação torna-se mais virtual do que real.

No livro História da Imprensa no Brasil, de Nelson Werneck Sodré podemos refletir sobre a livre expressão no Brasil: "...a imprensa oligopolizada e vinculada a estrutura social e política vigente definiu a sua alienação e perdeu qualquer traço do que é nacional aqui..."
"...só existe imprensa livre quando o povo é livre; imprensa independente, em nação independente -
e não há nação verdadeiramente independente em que o seu povo não seja livre."

Texto por: Juliana de Abreu
Edição por: Marília Vezzaro

terça-feira, 26 de maio de 2009

Jornalismo de Ideias

Falando um pouco sobre Jornalismo de Ideias

A Revolução Francesa em 1789, decorreu do descontentamento da população contra a monarquia francesa. Esse movimento histórico foi influenciado pela Independência da América do Norte e pelos ideais do Iluminismo que pregava, basicamente, os princípios universais de "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" (Liberté, Egalité e Fraternité, autoria de Jean-Jacques Rousseau).

Em 26 de agosto de 1789 é aprovada em assembleia a "Declaração dos Direitos Humanos", de inspiração iluminista. A declaração permite o direito à liberdade, à igualdade perante a lei, à inviolabilidade da propriedade e ao direito de resistir à opressão.

Nesse contexto, a liberdade de imprensa surgiu do jornalismo participativo de revolucionários girondinos, formados por banqueiros e grandes comerciantes, e jacobinos, formados por classes mais pobres e dos intelectuais - nesse grupo se encaixam os jornalistas que eram iluministas fervorosos na época. A diferença entre esses dois grupos é que os girondinos eram conservadores e os jacobinos, considerados inovadores, mas ambos tinham o mesmo objetivo, derrubar a monarquia e instaurar o capitalismo industrial.

No Brasil, o jornalismo participativo começa com a vinda da corte portuguesa. Escrito por um cidadão comum, o primeiro panfleto "Folheto de Caille" foi o início da imprensa participativa. Era uma grande fonte de informação, já que eram publicado assuntos políticos complexos de uma forma mais simples para a população. Vale lembrar também que nesse período havia liberdade de imprensa, qualquer cidadão podia dar seu palpite.

O primeiro jornal politicamente independente foi o "Revérbero" com Joaquim Gonçalves Ledo e Januário da Cunha Barbosa como os principais jornalistas. As ideias principais publicadas eram sobre a independência do Brasil e o estabelecimento de uma Assembleia Constituinte e Legislativa. Teve duração de um pouco mais de um ano, logo após a independência houve a volta da censura e consequentemente o jornal foi fechado e seus autores exilados.



Outro jornal de importância foi o "Sentinelas" fundado em 1822 por Cipriano Barata, o primeiro com ideais Republicanos no Brasil. Com a volta da censura o autor foi perseguido e preso, passou por várias prisões e mesmo durante 8 anos em cárcere, publicava outros jornais de cunho idealista. Foi considerado um dos maiores jornalistas de sua época.

No fim da metade do século XIX, começam a surgir jornais abolicionistas e republicanos. Jornalistas influentes discutiam os ideias progressistas, combatiam a escravidão, se posicionavam contra o governo e defendiam um sistema republicano, faziam reflexões iluministas, entre outros aspectos idealistas que se propagavam na imprensa brasileira.
Texto por: Juliana de Abreu
Edição por: Marília Vezzaro

terça-feira, 12 de maio de 2009

CONTRACULTURA Yeah

Nasce na década de 1960 um ímpeto entre os jovens, cheio de rebeldia, necessidade de expressão e negação à política rígida imposta na época. Assim começou a contracultura.

A chegada do homem a lua, a descoberta da pílula anticoncepcional, a guerra fria, o rock de Jim Morrison (The Doors), o discurso de Timothy Leary, o início da Pop Art e o movimento feminista, foram alguns dos eventos que marcaram a década da revolução.

Negar o slogan norte americano “the american way of life”, veemente cultuado quando surgiu em 1920, foi marcante para esta historia.
O festival de música de Woodstock em 1969 e a revolução dos estudantes de Paris, em 1968, foram marcos que registraram sua essência.

Em contrapartida com a revolução francesa, a contracultura pregava uma sociedade embasada na anarquia, na paz, e no amor; atitude hippie e a vida em comunidade.

Este movimento foi bastante influenciado pela "beat generation" que teve início nos anos de 1950, e era formado por escritores engajados e subversivos. Eles traziam a revolução cultural em suas obras com temáticas muita das vezes obscenas e rebeldes, cujo lema era a não-conformidade e a criatividade espontânea. Logo a ideologia atraiu os jovens que não se ajustavam a glória mostrada pelos americanos após a segunda guerra, sendo berço para outras novas subculturas surgirem mais a frente, o que nos mostra o movimento punk em 1970.
Os escritores ícones beat: Allen Ginsberg, Jack Kerouac e Willian Burroughs, propunham largar tudo e se lançar na estrada, em busca de viagens para o corpo e para a alma, como no filme “Easy Rider”, que ilustra a década e mostra a luta de jovens pela sua liberdade.



In-prensa e Contracultura no Brasil

A maior divulgação da contracultura feita no Brasil era na coluna de Luiz Carlos Maciel chamada "Underground", publicada no mais influente jornal de oposição à ditadura militar, "O Pasquim"; principalmente por que no início da publicação, toda a juventude lia o tablóide.
A partir de 1979, o público principal passou a ser de profissionais liberais de meia idade. Foi um dos mais lembrados da imprensa alternativa e também o que mais durou.

Maciel, foi considerado o “guru” da contracultura brasileira e 1971 contribuía com a imprensa alternativa em outro jornal. "Flor do Mal" explorava "a liberdade da loucura de cada um", na definição de seu fundador. O título era inspirado pelo poeta Charles Baudelaire e teria sido uma ideia do poeta Torquato Neto. O primeiro número do jornal, que quase não saiu por conta da censura, tinha uma sinistra frase de Baudelaire sobre a imprensa e a foto de uma menina anônima.
"Flor do Mal" foi considerado especialmente entre os mais radicais como um marco da contracultura brasileira.


O Top Top Contracultural

Dentre os 150 periódicos que circularam de 1964 á 1980 e ficaram mais conhecidos como imprensa alternativa, foram: "Flor do Mal", "Presença", "Rolling Stone" e "Bondinho" e eram os principais divulgadores das alternativas de vida criadas pela contracultura no exterior e aqui no Brasil;
"Presença"
só chegou ao segundo número e seu tema principal eram as viagens a lugares exóticos, divulgando assim a tendência pelo Orientalismo, tão presente na contracultura; "Rolling Stone", basicamente uma tradução da revista homônima norte-americana, era editada por Maciel, tendo seu primeiro volume em 1972, quando saudava a volta de Caetano ao Rio de Janeiro. O tema geral da revista era o rock´n roll, e a expressão da cultura de massa, que foi a rebeldia dos jovens nos Estados Unidos;
O "Bondinho" começou como um jornal de serviços do grupo Pão de Açúcar, aos poucos adotou uma linha editorial alinhada à contracultura. Liberou-se tanto dessa relação comercial que, após um contato com Caetano e Gil por ocasião do retorno deles do exílio e de uma edição dedicada aos dois novos baianos, adotou, segundo Kucinski, a filosofia do "transbunde": liberação geral. O projeto visual era muito ousado para a época, além de colorido e muito bem acabado, mantendo-se avançado até para os padrões atuais.

As entrevistas, em geral com ícones da contracultura, eram publicadas na íntegra, sem cortes. Passaram pelo "Bondinho" quase todos os tropicalistas, políticos e médicos alternativos, como Jerry Rubin, o fundador do Yippie (ou partido internacional da juventude), o terapeuta corporal Dr. José Ângelo Gaiarsa e médicos alternativos da clínica livre de Ashbury Height (Bairro Hippie em São Francisco), feministas, como Simone de Beavouir e Rose Marie Muraro, e artistas, como Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, José Celso Martinez, Rogério Duprat, Jorge Mautner e Luis Carlos Maciel.


A Censura e o Fim

A censura, a partir de 68, impedia a grande imprensa de tratar de muitos assuntos. Isto criou um espaço para a imprensa alternativa crescer e dentro dela que ocorreu boa parte da divulgação da contracultura, apesar das adversidades.
As soluções esbanjavam criatividade, mas só se tornaram viáveis graças a dedicação e coragem de seus realizadores, junto às inovações do jornalismo principalmente visuais e gráficas, que foram incorporadas pelos cadernos de cultura da grande imprensa.

Já sem a força da censura, os grandes jornais passaram a ocupar os espaços antes ocupados pela imprensa alternativa, que não ressurgiu.
A contracultura brasileira deixou marcas na cultura nacional e alguns dos bens simbólicos produzidos por seus membros continuam a ser consumidos.

Hoje, temos a revista "Caros Amigos", que mantêm a chama do jornalismo alternativo com certo monopólio popular.
Para muitos, como para Luiz Carlos Maciel, uma imprensa alternativa hoje ainda é possível, principalmente, com a ajuda das tecnologias e da Internet, porém, a absorção em massa da indústria cultural popular desvirtua a essência de um movimento mais esquerdista.
Muitos autores dizem que o movimento alternativo encerrou seu ciclo histórico, por conta da comercialização dos valores contraculturais tão comuns na atualidade.
“Se é inevitável essa absorção, vamos então fazer com que essa absorção seja feita de modo a talvez preservar o que seja, o que mereça ser preservado, o que é a essência da coisa” - Jorge Mautner, poeta da contracultura para o "Bondinho" em 1972.

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Pauta por: Jeniffer Daurício
Texto por: Marília Vezzaro
Edição de Imagem por: Marília Vezzaro

terça-feira, 5 de maio de 2009

Consensus ETC na Virada Cultural

A equipe do Consensus ETC resolveu ir até a Virada Cultural pelas ruas de São Paulo para cobrir essa grande festa e ouvir o que as pessoas que foram até lá têm a dizer.

A Virada Cultural é um evento promovido pela Prefeitura de São Paulo que acontece no centro da cidade desde 2005, com duração de 24 horas sem intervalos, com shows, dança e atrações diversas. "Uma maratona de cultura pra quase todos os gostos", é o que diz a estudante Yasmim Caroline da Silva de 18 anos. Quando o assunto foi a possível censura de algumas atrações, ela confessa, "poderia ter mais coisas sim, mais estilos musicais diferenciados, mas acho também que isso só aumentaria a bagunça." Já as estudantes Jessica Ferdandes Anelli de 18 anos e Natália Soares de 16 discordam, afirmando que frequentam todos os tipos de pessoas e culturas na Virada.

O evento foi inspirado na Nuit Blanche parisiense, que agita anualmente a capital francesa, com atrações que seguem madrugada adentro.

Em São Paulo, o festival ganhou contornos superlativos e grande importância nessa 5ª edição, embora tenha sido mal divulgado e mal organizado, replica o preparador de máquinas André Luiz Santos de 23 anos que compareceu ao evento por acreditar ser "um evento de suma importância cultural." Os estudantes Mateus Ribeiro Guitti de 22 anos e Natália Soares de 16 concordam que o mais atraente é a possibilidade de ter acesso a coisas novas e de reunir pessoas de diversos lugares do Brasil. Já a estudante de 18 anos Jessica Ferdandes Anelli acha que a iniciativa é interessante por estimular o interesse à cultura.

"É um projeto para todas as faixas da sociedade, já que muita gente de classe social baixa não consegue ter acesso a eventos culturais, como teatro, mostras artísticas e entre outros elementos, devido à seletividade econômica dos mesmos. Hoje, na maioria dos caso é preciso ter dinheiro para ter cultura. Enfim, nesse projeto, existe a interação de diversas culturas sendo passada adiante sem limites sociais e econômicos, sem levar em conta as classes sociais." - ressalta a modelo Larissa Vecchi Castilho de 18 anos o grande trunfo da Virada, que é a possibilidade de levar atrações a todos, de primeira linha e de graça.

O evento tem beneficiado também o projeto de renascimento do Centro Velho de São Paulo, ao levar os paulistanos para a região, que habitualmente se esvazia durante a noite.

Compareceram cerca de 4 milhões de pessoas no festival que teve início ás 18 horas do sábado e terminou às 18 horas do domingo.
Quanto à segurança e policiamento do local a reclamação foi geral. A bancária Fabiana Dias de 23 anos relata, "O policiamento estava fraco."

O diferencial do evento seria a abertura para as diversas culturas que se reunem nos palcos em forte expressão de ideias como amor, liberdade, energias positivas ou em outros casos mais extremistas anarquia, apologia às drogas e engajamento em causas rebeldes, o que nos faz pensar se um evento como esse não é a própria corda que nos dão para que os de esquerda se enforquem.
"Com toda certeza somos manipulados pelo governo e pela mídia. O governo controla nossa vida diretamente, sendo que por escapar dessa manipulação direta, existem as penas. Essas um dia acabam; já a manipulação da mídia acontece de forma indireta e totalmente invasora na sua vida, uma porque ela consegue entrar na sua mente de forma a controlar seus gostos, desejos, enfim, seu estilo de vida, e para esse tipo de manipulação não existe punição ou regra, já que é considerado invisível." - diz a modelo Larissa Vecchi Castilho em concordância com a estudante Jessica Ferdandes Anelli, "Parece que hoje em dia só é aceitável gostar do que aparece na televisão. Porém, em São Caetano do Sul, por exemplo, uma festa dessa dimensão seria vetada, não aconteceria, por estar fora dos padrões corretos que a cidade impõe"
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Entrevistas por: Jeniffer Daurício
Reportagem Por: Marília Vezzaro
Edição de Imagens Por: Marília Vezzaro

terça-feira, 21 de abril de 2009

Censura na Opinião Pública

Censura X Opinião Pública

A opinião pública é uma constante que vem querendo e conseguindo tomar um espaço muito grande aonde quer que você vá. Em revistas com forte poder opinativo, no editorial de jornais, programas de TV com foco para os protestos do povo, ou até mesmo na rua, podemos ver que o povo não tem medo de se expressar e, em sua grande maioria, sabe o que quer. Ou, ao menos, pensa que sabe.

Porém, uma segunda constante muito forte, talvez muito mais forte que qualquer outra constante, é o magnânimo poder de compra, onde a ética é derrubada, toda a moral desmoralizada, e a opinião pública que "se dane" diante das “verdinhas”. Diante do poder de simplesmente administrá-las em grande escala, é isso que move e alimenta o moinho da censura.

É certo que são os jornalistas que escolhem o que no fim das contas é publicado ou não. Mas os pobres coitados não têm tanta culpa no cartório assim, já que atrás deles (sem duplo sentido) existem os editores chefes, diretores, donos, publicitários e políticos em sua respectiva ordem de hierarquia, movidos por motivos dessas forças maiores que regem o mundo da censura.

Essa supremacia de poder acaba por fim suprimindo e, por que não dizer, soterrando a opinião que o público tem a respeito do que é publicado, o que escreve Arnaldo Jabor em coluna para o Estadão nessa terça o que seria a visão do poder nisso tudo. Ou não. Veja abaixo a matéria:

Clique na imagem para ampliar.

Como também cita Noblat em seu livro "A Arte de fazer um Jornal Diário", nem sempre aquilo que é importante pra alguns e é taxado como sendo de "interesse público", interessa mesmo a maior parte dos brasileiros. Pelo menos não do jeito que é publicado hoje em dia, onde páginas e páginas de jornal são perdidas em devaneios sobre noticias com continuação (suites), mas sem humanização. Sem a realidade do leitor embutida nela e sem que ele emita uma única opinião sobre isso, elas são publicadas dia após dia, ano após ano, até que a boca revolucionária do público se cale para nunca mais.

Referências:
  • O Estado de São Paulo - edição das 23h15 (21 de abril de 2009 - ANO 130. Nº42189)
  • Noblat, Ricardo - "A Arte de Fazer um Jornal Diário"
Pauta por: Raisa Meneses
Texto por: Marília Vezzaro
Edição de Fotografia por: Marília Vezzaro

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A Censura em 1808

A Censura no começo da imprensa em 1808

A censura no começo da imprensa em Portugal desde o século XVI até XVII foi basicamente um exame crítico de diversas obras para o controle do governo com a intenção de evitar a propagação de ideias contrárias a ordem moral e política vigente. Este exame foi exercida por três instâncias independentes, porém complementares: a Inquisição, as Ordenações e a Mesa do Desembargo do Paço.

As Ordenações nada mais eram do que as normas jurídicas portuguesas que entre tantas leis promulgadas podemos destacar os direitos régios e suas cobranças, o que foi uma parte da censura imposta nesse período.

Mesa do Desembargo do Paço tinha a função de resolver conflitos entre a Casa Civil portuguesa e a Casa de Suplicação (ou Supremo Tribunal do Reino), todos os assuntos referentes a administração de justiça e diz respeito também a concessão de privilégios e benefícios. No papel que exerceu na censura podemos destacar um dos privilégios de benefício que foi a concessão de licenças para impressão de livros relativos a matérias temporais.

Com a criação da Real Mesa Censória a censura de livros e publicações tornou-se o âmbito do Estado e quem era responsável por ter o cargo de censor era escolhido por nomeação régia.

No Brasil, com a vinda da corte e consequentemente a Impressão Régia que servia basicamente para legitimar o governo, fez com que a censura ficasse na responsabilidade da junta diretora da Real Mesa Censória, passando a ser atribuição da Mesa do Desembargo do Paço pouco tempo depois.

Contudo, toda as impressões e importação de obras e periódicos ocorreriam mediante a licença da Mesa e no Brasil, com a vinda da corte, acarretou a sua instituição aqui por meio do alvará de 22 de Abril de 1808.
A mesa tornou-se em vigor a partir de Setembro daquele ano.

Texto por: Juliana de Abreu
Edição de Fotografia Por: Marília Vezzaro

A chegada

A chegada da Imprensa e do Jornalismo ao Brasil

A Imprensa vinda da Europa chega ao Brasil com a família real 308 anos de espaço entre a conquista da terra e a instalação da imprensa ( em 31 de maio de 1808), Dom João fundou no Rio de Janeiro a Imprensa Régia, mas existem outros motivos para o atraso da imprensa desde fatores sócio – culturais, ausência de escolas e até setores burocráticos do governo que eram precários e não necessitavam da impressão. Havia também a questão da censura imposta pelas metrópoles absolutistas à suas colônias.

A implantação da imprensa foi o apoio infra – estrutural para as atividades da Coroa Portuguesa instalada provisoriamente. Somente com a mudança do governo e da família real para o Brasil, as atividades culturais e o comércio exigiam que fosse instalada a imprensa.

O Jornalismo Brasileiro no século XIX foi marcado pela construção de uma nova fase de jornais opinativos e também do jornalismo partidário que lutavam por melhorias sociais, após essa fase surgiram jornais abolicionistas que reforçavam a função ideológica. A abolição da censura prévia imposta por Dom Pedro I, em 1821 foi essencial, logo depois surge à primeira Lei de Imprensa no ano de 1823.

O Brasil passava por transformações e mais tarde viria a transformar o cenário urbano.


Texto por: Carlos Simalha
Edição de Fotografia Por: Marília Vezzaro

quarta-feira, 8 de abril de 2009

"O Autor no Mercadão”

O “Autor no Mercadão” REUNE JORNALISTAS E COMEMORA O DIA DA CLASSE

O Mercado Municipal de São Paulo foi palco da primeira edição do projeto “ O autor no mercadão". O evento que ocorreu no último domingo foi realizado através de uma parceria entre a RENOME (Associação de Renovação do Mercado Municipal Paulistano), e o projeto “O autor na praça”. A primeira edição teve como tema, a comemoração do Dia Nacional do Jornalista, que será na próxima terça-feira.

A iniciativa é resultado de um trabalho que já existe há dez anos. O coordenador do projeto, Edson Lima, conta que a idéia foi fruto de um outro evento que é realizado quinzenalmente na praça Benedito Calixto , chamado “O autor na praça”. Para Edson, a empreitada remonta um cenário político e engajado, cenário esse, quase apagado em São Paulo : “Essa iniciativa tem como função valorizar a história de São Paulo e incentivar o paulistano a programas mais culturais.” De acordo com ele, escolher o Mercadão foi trazer mais identidade ao evento e relembrar o contexto histórico da cidade.


O evento que teve início as 12h, contou com a abertura da orquestra ”Lua Nova” de Socorro, interior paulista. Após a abertura foi iniciada a tarde de autógrafos com os jornalistas presentes.

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Tarde de autógrafos

A bancada contou com repórteres renomados no meio jornalístico. Entre os presentes estavam: Audálio Dantas com o livro O Chão de Graciliano Ramos; José Hamilton Ribeiro com os livros O Repórter do Século, O Gosto da Guerra, Música Caipira e Tropeiros: Diário de uma Marcha; Ricardo Kotscho com os livros Do Golpe ao Planalto, uma vida de repórter, Uma vida nova e feliz... sem poder, sem cargo, sem carteira assinada, sem crachá...; Guilherme Azevedo com o livro As Aventuras de Alencar Almeida; Flávio Carrança com o livro Espelho Infiel, o negro no jornalismo brasileiro; Iva Oliveira com o livro A Força da Fé; Lucius de Mello com os livros Eny e o Grande Bordel brasileiro, A Travessia da Terra vermelha e Mestiços da Casa velha. O clima era bastante descontraído e os jornalistas falaram sobre temas polêmicos.

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A censura e a obrigatoriedade do diploma

“Aceitar a censura nunca”, afirma o jornalista e escritor, Audálio Dantas. Para ele o que há nos meios de comunicação de massa é a censura econômica, que varia de acordo com a direção do veículo. Nesse tipo de censura, segundo o jornalista, existe um direcionamento do conteúdo e da essência da matéria. Ele diz ainda que a função do jornalista é um compromisso ético, e faz referência a cláusula da concensura, vigente na Europa, que legitima como direito a isenção de assinatura do jornalista, caso a essência da matéria seja modificada pelo veículo.


O ex-assessor da presidência e repórter há mais de quarenta anos, Ricardo Kotscho, defende uma postura mais enérgica do jornalista: "A censura que eu sofri foi em 67, no Estadão. O que existe hoje é a auto-censura do jornalista, e dos interesses próprios das empresas. Eu jamais admiti a censura e nem por isso fui mandado embora, eu sempre demiti as empresas”. E completa: “O pessoal está acomodado. No jornalismo você tem que brigar por tudo, a vida do jornalista é brigar, é ir sempre até o limite." Em relação á obrigatoriedade do diploma, ele que não tem formação acadêmica, conta: "Fui jubilado no ECA e minha mãe não teve o prazer de me ver formado. Eu defendo um exame como o da OAB, para que o profissional tenha acesso a profissão, senão vira casa de ninguém, e avacalha o jornalismo.”

Um dos entrevistados, Lucius de Mello, redator do programa Hoje em Dia da Rede Record, vai além: "O poder político é refém do econômico. O jornalista precisa transitar em uma linha tênue pra que não sofra censura”, disse, fazendo referência a vulnerabilidade - leia- se risco de demissão- do jornalista no mercado de trabalho.

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O debate

A discussão foi moderada pelo editor do Jornalirismo, Guilherme Azevedo. Os temas abordados foram a revolução digital, a liberdade de imprensa e a função do jornalista na sociedade. O jornalista José Hamilton Ribeiro de 76 anos, que há cinquenta e dois anos atua na profissão foi bastante celebrado e protagonizou os melhores momentos do debate. Ele afirmou que o brasileiro tem um desconhecimento da própria identidade, e que os meios de comunicação não valorizam o “Brasil rural”. Para ele, o homem rural tem pouco incentivo de crédito do governo e pouca relevância na mídia: "A grande imprensa não conhece o Brasil, principalmente o campo. Existe hoje, uma grande atenção com o urbano e um esquecimento desastroso com o meio rural”, afirma Zé Hamilton, como é chamado pelos colegas.

Um dos ápices do debate foi a discussão sobre o advento da internet como ferramenta no trabalho jornalístico. A bancada foi enfática ao afirmar que qualquer um pode “fazer jornalismo”, e que hoje em dia é preciso ter cuidado com essa tecnologia. Para o repórter especial do programa Globo Rural, Zé Hamilton, essa liberdade dá margem á desvalorização dos bons profissionais: “Hoje qualquer cabeça de bagre põe o que ele quiser na internet”, disse fazendo referência aos pseudo-jornalistas da web.

O debate teve momentos de descontração principalmente quando a bancada foi questionada sobre "o porquê continuar na profissão”. As respostas formaram um elo entre o bom-humor e a paixão pelo ofício: ”O jornalismo é a melhor profissão pra se sair a tempo”, brincou Zé Hamilton. Para Kostcho, é uma questão de sobrevivência: “Eu não saberia fazer outra coisa da vida que não fosse ser um jornalista.”

O evento também contou com a presença do presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Guto Camargo, que louvou a iniciativa e convidou os estudantes presentes para aderirem ao movimento da categoria.

Reportagem: Ingrid Thomas e Juliana de Abreu

Textos: Ingrid Thomas

Imagens: Juliana de Abreu

terça-feira, 31 de março de 2009

O Começo


Um breve resumo do começo da imprensa ocidental

A medida que a popularidade da tipografia aumenta, disseminam-se não somente papéis impressos relacionados a doutrina da Igreja Católica, mas também um pouco de suas barreiras iniciais de propagação.

Com o advento do mercantilismo, as grandes navegações e o período de transição do feudalismo para a centralização do Estado, cresce ainda mais a importância de um meio de comunicação útil entre as pessoas, que pudesse trazer não só benefícios ao Estado.

As grandes navegações e o mercantilismo ascendente precisaram aperfeiçoar o sistema de compra e vendas das mercadorias, então usam da tecnologia de prensa para imprimir letras de cambio, guia de recolhimento de impostos, tabelas de preços, avisos sobre o comércio marítimo ou o que podemos chamar de jornalismo de serviço de acordo com as necessidades de informação dos comerciantes.

Consequentemente, o comércio em expansão pressiona indiretamente para a centralização da língua e moeda para facilitar as transições comerciais. Ocasionando o começo da consolidação dos Estados. Sendo assim, começa a extinção dos diversos feudos espalhados pela Europa que se limitavam em ter um rei para cada castelo ocasionando a pluralidade de culturas, o que mais dificultou para a unificação da moeda e da língua dos então futuros Estados.


Nessa transição observamos uma circulação de editais, avisos políticos, manifestação de ideias através de folhas volantes e mais uma série de impressões publicadas em lugares público com o intuito de informar o povo.

Depois desse tímido começo da imprensa de informação, num meio em que emergem a nova conjuntura política socio-cultural, estados consolidados, capitalismo como nova economia mundial, as pessoas tornam-se ávidas por mais informações do cotidiano.

Texto por: Juliana de Abreu

A Censura nos Primórdios


Síntese da censura nos primórdios da imprensa em língua portuguesa

Em 1455 foi impresso o primeiro livro graças a mecanização da tipografia por Johannes Gutenberg em Mainz na Alemanha. Este primeiro livro foi a bíblia.

Desencadeando assim uma série de impressões de livros de cunho religioso, pois a impressão foi bem vinda pela Igreja Católica que pode se aproveitar, por exemplo, em imprimir varias cópias de cartas de indulgência (qualquer católico podia pagar para se livrar de suas penitências).

Por consequente preocupação de cortar pela raiz as ideias discordantes impostas pelo regime católico, que tinha um conteúdo político ligado intimamente com a nobreza e a coroa, a Inquisição - tribunal católico utilizado para averiguar heresias, feitiçaria, bigamia, sodomia e apostasia - foi instituída em Portugal por volta de 1536.

Através de uma lista de livros proibidos que se opuseram a doutrina católica e por fim prevenir a corrupção do fiéis, foi instituída pela Igreja Católica o Index Prohibitorun. Foi estabelecida a censura literária.

Entre esses livros encontramos obras de cientistas e filósofos como: Galileu Galilei, Nicolau Copérnico, Thomas Hobbes, René Descartes, Rousseau etc. Famosos romancistas e poetas também como: Alexandre Dumas, Voltaire, Daniel Defoe, Honoré de Balzac, Jean-Paul Sartre, Emile Zola etc. Qualquer livro a ser publicado tinha que ter autorização do bispo representado pela Igreja.

O primeiro jornal em língua portuguesa a ter periodicidade foi "A Gazeta de Restauração" em Lisboa, Portugal. Tinha por objetivo dar notícia dos acontecimentos da guerra com a Espanha e da aclamação de D. João VI como Rei de Portugal e da consolidação da independência. Porém no ano de 1715, "Gazeta de Lisboa" foi o primeiro jornal oficial português que iniciou sua publicação.

Logo vemos que a censura foi imposta nos primórdios da imprensa, principalmente pelo domínio da Igreja Católica em terras lusitanas, que foram "transferidas" para as colonias que Portugal tinha o controle nesse período.
Não se safando o Brasil que mais de um século depois, com a mudança da corte portuguesa para a colonia, começa a engatinhar sua imprensa oficial.

Texto por: Jualiana de Abreu